Curva ABC e relatórios: como saber o que mais vende e se o delivery dá lucro

Curva ABC mostra quais itens do cardápio sustentam o faturamento. Veja como calcular a sua e cruzar vendas com margem para saber o que dá lucro.

Publicado em 20 de agosto de 2026

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Para saber o que mais vende e se o seu delivery dá lucro, ranqueie o cardápio pela curva ABC e cruze com a margem de cada item, porque o campeão de vendas nem sempre dá lucro

No meio da correria da operação, você provavelmente já tem uma ideia sobre quais pratos saem mais no seu delivery. O problema é que intuição e faturamento nem sempre andam juntos, e o carro-chefe da cozinha pode ser justamente o que menos deixa dinheiro no caixa no fim do mês.

A curva ABC ajuda a transformar essa percepção em números: ela mostra quais itens concentram o faturamento do seu cardápio. Quando você cruza esse resultado com a margem de cada produto, consegue descobrir não só o que mais vende, mas quais itens realmente contribuem para o lucro.

Na prática, a análise começa com dois dados: quanto cada item vende e quanto sobra depois dos custos. Com eles, você consegue identificar os produtos que sustentam o faturamento, os que vendem muito, mas deixam pouca margem, e aqueles que, mesmo vendendo menos, podem ser mais rentáveis.

Neste artigo, você vai entender o que é a curva ABC, quais dados precisa reunir, como calcular as classes A, B e C e como usar o resultado para tomar decisões sobre preço, estoque, divulgação e cardápio.

Índice:

  • O que é a curva ABC?
  • Por que a curva ABC importa no delivery?
  • Curva ABC de vendas e curva ABC de estoque: qual é a diferença?
  • As três classes: o que cada uma representa?
  • Quais relatórios você precisa para montar a curva ABC?
  • Como calcular a curva ABC do seu cardápio passo a passo?
  • Como fica a curva ABC de uma hamburgueria na prática?
  • Qual é o erro mais comum ao ler a curva ABC?
  • Como cruzar a curva ABC com a margem de cada item?
  • O que fazer com cada classe depois da análise?
  • Com que frequência refazer a curva ABC?
  • Comece a sua curva ABC hoje, com o cardápio que você já tem

O que é a curva ABC?

A curva ABC é uma ferramenta de classificação que separa os itens de um negócio em três grupos, conforme a relevância de cada um para um objetivo definido. No caso de um restaurante, esse objetivo costuma ser o faturamento gerado por cada produto do cardápio.

A lógica é simples e um pouco desconfortável: nem todo item merece a mesma atenção. Alguns poucos produtos concentram a maior parte da sua receita, enquanto uma quantidade grande de itens contribui muito pouco. Reconhecer essa diferença muda a forma como você compra, precifica e divulga.

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De onde vem a regra 80/20?

Essa distribuição desigual não é novidade. Ela vem do princípio de Pareto, formulado pelo economista italiano Vilfredo Pareto, que observou que uma minoria das causas costuma responder pela maioria dos efeitos. A curva ABC é a aplicação prática dessa observação.

No cardápio, a proporção raramente é exatamente 80/20, mas o padrão se repete. Um grupo pequeno de pratos puxa o faturamento, um grupo intermediário sustenta a operação e uma cauda longa de itens vende pouco e, ainda assim, ocupa espaço no estoque e no cardápio.

Por que a curva ABC importa no delivery?

No delivery, nem todos os itens do cardápio têm o mesmo peso no resultado. Alguns concentram uma parcela grande do faturamento, enquanto outros vendem pouco e ocupam espaço na operação, no estoque e no próprio cardápio.

A curva ABC ajuda a identificar essa diferença. Em vez de tratar todos os produtos da mesma maneira, você consegue saber quais itens merecem mais atenção na compra de insumos, na disponibilidade, na precificação e na divulgação.

Essa priorização é especialmente útil no delivery, em que pequenas mudanças em itens de alto giro podem ter impacto relevante no faturamento. A análise também ajuda a encontrar produtos que merecem ser promovidos, reformulados ou retirados do cardápio.

Mas há um limite importante: a curva ABC tradicional olha para faturamento, não para lucro. Para saber se os itens que mais vendem também são os que mais contribuem para o resultado, é preciso cruzar a análise com a margem, como veremos mais adiante.

Curva ABC de vendas x curva ABC de estoque: qual usar no restaurante?

A curva ABC pode ser aplicada tanto aos produtos que você vende quanto aos insumos que compra, mas cada análise responde a uma pergunta diferente.

A curva ABC de vendas ajuda a entender quais itens do cardápio concentram o faturamento. Já a curva ABC de estoque mostra quais insumos têm maior peso na operação e merecem mais atenção na compra e na reposição.

AspectoCurva ABC de vendasCurva ABC de estoque
O que classificaItens do cardápioInsumos e matéria-prima
Pergunta que respondeO que mais vende e fatura?O que mais pesa na compra?
Base de cálculoFaturamento por produtoCusto e giro do insumo
Decisão que orientaCardápio, preço e divulgaçãoCompra, reposição e armazenagem

Se o objetivo é descobrir quais produtos sustentam o faturamento do delivery, use a curva ABC de vendas. É essa análise que vamos usar neste artigo.

As três classes: o que cada uma representa?

A classificação divide os itens conforme a participação acumulada no faturamento. Os cortes exatos variam de operação para operação, mas a lógica das faixas se mantém em qualquer cardápio.

Classe A

São os itens que concentram a maior parte da receita, geralmente em torno de 80% do faturamento, mesmo representando uma parcela pequena do cardápio. É o grupo que merece atenção diária, porque qualquer oscilação neles aparece direto no resultado.

Classe B

São os itens de participação intermediária. Vendem de forma constante, ajudam a sustentar o faturamento e costumam ter espaço de crescimento. Muitos itens de classe B viram classe A quando ganham destaque no cardápio ou um ajuste de preço bem calculado.

Classe C

São os itens de menor peso no faturamento. Costumam ser numerosos e vendem pouco. Nem todos precisam sair do cardápio, porque alguns cumprem função estratégica, como bebidas de acompanhamento ou opções para restrições alimentares.

ClasseParticipação no faturamentoFatia típica do cardápioAtenção recomendada
ACerca de 80%PequenaDiária
BCerca de 15%MédiaSemanal ou quinzenal
CCerca de 5%GrandeMensal

Quais relatórios você precisa para montar a curva ABC?

Todo esse método depende de um insumo básico, que é o dado de vendas organizado por item. Sem isso, a curva ABC vira estimativa, e estimativa não sustenta decisão de preço nem de cardápio. Quem ainda anota pedido no papel costuma esbarrar aqui, e esse é um bom motivo para começar a digitalizar a operação pelo cardápio.

Na prática, três relatórios respondem às duas perguntas do título: o que mais vende e se o delivery dá lucro. O primeiro mostra o volume, o segundo mostra o custo e o terceiro mostra quanto sobra depois que o canal cobra a parte dele.

RelatórioO que ele mostraPara que serve na curva ABC
Vendas por produtoQuantidade e faturamento de cada item no períodoMonta a classificação A, B e C
Custo por itemCusto de insumo de cada preparoCalcula a margem de contribuição
Vendas por canalQuanto entra por cada canal e a comissão de cada umRevela o lucro real do item classe A

As duas primeiras informações saem de um bom relatório de vendas, e o custo vem da ficha técnica. O terceiro relatório é o mais esquecido e costuma ser o que muda a conclusão da análise.

Esse levantamento fica bem mais simples quando os pedidos de todos os canais chegam a um painel de pedidos único, em vez de você somar planilha de um lado e extrato do aplicativo do outro.

Como calcular a curva ABC do seu cardápio passo a passo?

Montar a curva não exige software caro nem conhecimento de estatística. Exige o dado de vendas organizado e um pouco de paciência com a planilha. O roteiro abaixo funciona para qualquer tamanho de operação.

1. Levante as vendas por item

Escolha um período representativo, normalmente de 30 a 90 dias, e liste cada item do cardápio com a quantidade vendida e o faturamento gerado. Períodos curtos demais distorcem o retrato por causa de promoções pontuais e datas atípicas.

2. Ordene os itens do maior para o menor

Com a lista pronta, ordene os itens pelo faturamento, do maior para o menor. Nesse momento já costuma aparecer a primeira surpresa, porque o item que mais vende em quantidade nem sempre é o que mais fatura.

3. Calcule o percentual acumulado

Some a participação de cada item no faturamento total e vá acumulando linha a linha. O primeiro item pode representar 22%, o segundo mais 15%, chegando a 37%, e assim por diante até fechar 100%.

4. Corte as faixas A, B e C

Marque como classe A os itens que somam até cerca de 80% do acumulado. A faixa seguinte, até aproximadamente 95%, forma a classe B. O restante é classe C. Esses cortes são referências e podem ser ajustados à realidade da sua operação.

Como fica a curva ABC de uma hamburgueria na prática?

Um exemplo simplificado ajuda a fixar o método. Os números abaixo são ilustrativos e servem apenas para demonstrar o cálculo, não representam dados de mercado.

ItemFaturamento no mêsParticipaçãoAcumuladoClasse
Combo artesanalR$ 12.00030%30%A
CheeseburguerR$ 10.00025%55%A
Batata rústicaR$ 6.00015%70%A
Refrigerante lataR$ 4.00010%80%A
Milk-shakeR$ 3.0007,5%87,5%B
Burguer vegetarianoR$ 2.4006%93,5%B
Água mineralR$ 1.2003%96,5%C
Sobremesa do diaR$ 8002%98,5%C
Molho extraR$ 6001,5%100%C

Nesse retrato, quatro itens de um cardápio de nove concentram 80% do faturamento. Repare que o refrigerante entra na classe A, o que costuma acontecer em operações de delivery e muda bastante a conversa sobre combos e sugestões de acompanhamento.

Qual é o erro mais comum ao ler a curva ABC?

O erro mais comum é confundir faturamento com lucro. A curva ABC mostra quais itens têm maior participação nas vendas, mas não revela, sozinha, quanto sobra depois dos custos.

Imagine um combo que lidera a classe A porque vende muito. Se ele usa ingredientes caros, exige uma embalagem mais robusta e ainda é vendido por um canal que cobra comissão, a margem pode ser menor do que a de um item que vende muito menos.

Por isso, um item de classe A não é automaticamente um item lucrativo. A classificação mostra onde está o faturamento; a margem mostra quanto desse faturamento realmente contribui para o resultado.

É justamente esse cruzamento que transforma a curva ABC em uma ferramenta de decisão.

Como cruzar a curva ABC com a margem de cada item?

Depois de identificar quais itens concentram o faturamento, o próximo passo é descobrir quanto cada um realmente deixa para o restaurante. Para isso, cruze a classe da curva ABC com a margem de contribuição de cada produto.

A margem de contribuição é o que sobra do preço de venda depois de descontar os custos variáveis daquele item. Se você ainda não calcula esse número, o cálculo para precificar um produto mostra como chegar nele sem complicar.

SituaçãoVendasMargemO que fazer
EstrelaAltaAltaProteger, destacar e manter sempre disponível
Cavalo de batalhaAltaBaixaRevisar preço, porção, embalagem e canal
Joia escondidaBaixaAltaDivulgar mais e sugerir como acompanhamento
Peso mortoBaixaBaixaReformular ou tirar do cardápio

O quadrante mais perigoso é o cavalo de batalha, o item de muita saída e pouca margem. Ele dá a sensação de sucesso, ocupa a cozinha nos horários de pico e sustenta um faturamento que quase não vira lucro.

Acompanhar seus indicadores financeiros ajuda a flagrar esse padrão antes que ele comprima o resultado do mês.

O que fazer com cada classe depois da análise?

Classificar sem agir não muda o resultado. Cada grupo pede um tipo de decisão, e a boa notícia é que as ações são bem concretas.

O que fazer com os itens da classe A?

Evite que falte insumo para eles, porque uma ruptura ali derruba o faturamento do dia. Revise o preço com frequência, negocie melhor a compra dos insumos e dê a eles o melhor lugar no cardápio, com foto boa e descrição clara.

O que fazer com os itens da classe B?

Trate a classe B como um viveiro de futuros itens A. Teste posicionamento no cardápio, monte combos com produtos de alta margem e observe a reação. Pequenos ajustes de exposição costumam mover itens dessa faixa com rapidez.

O que fazer com os itens da classe C?

Avalie caso a caso antes de cortar. Itens de baixo giro que travam capital no controle de estoque para delivery e complicam a operação são candidatos naturais à saída. Já os que servem de acompanhamento ou atendem uma restrição alimentar podem permanecer mesmo com pouca venda.

Vale lembrar que a apresentação do cardápio influencia diretamente essa distribuição. Trabalhar a ordem dos itens e a qualidade das descrições é uma forma de aumentar a conversão do cardápio digital e mover itens entre as classes.

Com que frequência refazer a curva ABC?

A curva ABC é um retrato de um período, não uma verdade permanente. Cardápio muda, preço de insumo muda e o comportamento do cliente muda junto. Uma curva de um ano atrás provavelmente já não descreve a sua operação de hoje.

Para a maioria dos delivery, refazer a análise a cada três meses funciona bem. Esse intervalo é curto o suficiente para captar mudanças relevantes e longo o suficiente para não reagir a oscilações passageiras de uma semana atípica.

Antecipe a revisão sempre que algo estruturante mudar, como uma alteração grande no cardápio, um reajuste de preço, uma troca de fornecedor ou a entrada em um novo canal de venda. Sazonalidades fortes, como festas e férias, também pedem uma leitura própria.

Comece a sua curva ABC hoje, com o cardápio que você já tem

A curva ABC mostra quais itens do seu cardápio concentram o faturamento, mas a análise fica realmente útil quando você cruza essa informação com a margem.

Para começar, levante as vendas dos últimos 90 dias, ordene os produtos pelo faturamento e identifique as classes A, B e C. Depois, analise a margem dos itens mais importantes para descobrir quais produtos realmente contribuem para o resultado.

A partir daí, use a análise para tomar decisões concretas: proteger os itens que sustentam o faturamento, corrigir os que vendem muito e deixam pouco e avaliar quais produtos de baixo giro ainda fazem sentido no cardápio.

O mais importante é não tratar a curva ABC como um relatório para consultar uma vez. Ela é uma fotografia da operação que deve ser refeita periodicamente, conforme preços, custos, canais e comportamento dos clientes mudam.

Se quiser continuar por aqui, vale entender como acompanhar os indicadores de delivery que conversam com a sua curva. E se ficou com dúvida sobre o seu caso, você pode conversar com um consultor da Anota AI e testar 7 dias grátis, sem cartão.

Perguntas frequentes sobre curva ABC

Como explicar a curva ABC em poucas palavras?

É um método que classifica os itens em três grupos conforme o peso de cada um no faturamento. A classe A concentra a maior parte da receita, a B tem participação intermediária e a C representa a menor fatia.

Qual a diferença entre curva ABC de vendas e de estoque?

A de vendas classifica os produtos do cardápio pelo faturamento que geram. A de estoque classifica os insumos pelo peso na compra e no giro. São análises complementares, que respondem a perguntas diferentes.

Quanto tempo leva para montar a curva ABC?

Com o relatório de vendas em mãos, uma tarde costuma bastar na primeira vez, porque o trabalho é organizar os dados numa planilha. Depois que a rotina está montada, a atualização leva poucos minutos. A seção com o passo a passo detalha cada etapa e onde ficam os cortes das faixas.

O item de classe A é sempre o mais lucrativo?

Não. A classe A indica participação no faturamento, não margem. Um item pode vender muito e sobrar pouco depois do custo de insumo, embalagem e comissão do canal, por isso o cruzamento com a margem é essencial.

De quanto em quanto tempo devo refazer a curva ABC?

A cada três meses atende bem a maioria das operações. Antecipe a revisão quando houver mudança grande de cardápio, reajuste de preço, troca de fornecedor ou entrada em um novo canal de venda.

Preciso de um sistema para fazer a curva ABC?

Não é obrigatório, dá para montar em planilha. O sistema economiza tempo porque já registra a venda por produto, o que elimina a digitação manual de pedido por pedido e reduz o risco de erro no levantamento.

Devo tirar todos os itens de classe C do cardápio?

Não necessariamente. Avalie caso a caso, porque alguns itens de baixo giro cumprem papel estratégico, como bebidas de acompanhamento ou opções para restrições alimentares. Corte os que travam capital sem função clara.

A curva ABC mostra quais itens do seu cardápio concentram o faturamento. Quando cruzada com a margem, ela revela o que realmente dá lucro. Use essa análise para proteger seus produtos estrela, corrigir os que vendem muito e deixam pouco, e decidir o que fica no cardápio. Quer automatizar seus relatórios e tomar decisões mais rápidas? Entre em contato com um consultor da Anota AI.

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