Para saber o que mais vende e se o seu delivery dá lucro, ranqueie o cardápio pela curva ABC e cruze com a margem de cada item, porque o campeão de vendas nem sempre dá lucro
No meio da correria da operação, você provavelmente já tem uma ideia sobre quais pratos saem mais no seu delivery. O problema é que intuição e faturamento nem sempre andam juntos, e o carro-chefe da cozinha pode ser justamente o que menos deixa dinheiro no caixa no fim do mês.
A curva ABC ajuda a transformar essa percepção em números: ela mostra quais itens concentram o faturamento do seu cardápio. Quando você cruza esse resultado com a margem de cada produto, consegue descobrir não só o que mais vende, mas quais itens realmente contribuem para o lucro.
Na prática, a análise começa com dois dados: quanto cada item vende e quanto sobra depois dos custos. Com eles, você consegue identificar os produtos que sustentam o faturamento, os que vendem muito, mas deixam pouca margem, e aqueles que, mesmo vendendo menos, podem ser mais rentáveis.
Neste artigo, você vai entender o que é a curva ABC, quais dados precisa reunir, como calcular as classes A, B e C e como usar o resultado para tomar decisões sobre preço, estoque, divulgação e cardápio.
Índice:
- O que é a curva ABC?
- Por que a curva ABC importa no delivery?
- Curva ABC de vendas e curva ABC de estoque: qual é a diferença?
- As três classes: o que cada uma representa?
- Quais relatórios você precisa para montar a curva ABC?
- Como calcular a curva ABC do seu cardápio passo a passo?
- Como fica a curva ABC de uma hamburgueria na prática?
- Qual é o erro mais comum ao ler a curva ABC?
- Como cruzar a curva ABC com a margem de cada item?
- O que fazer com cada classe depois da análise?
- Com que frequência refazer a curva ABC?
- Comece a sua curva ABC hoje, com o cardápio que você já tem
O que é a curva ABC?
A curva ABC é uma ferramenta de classificação que separa os itens de um negócio em três grupos, conforme a relevância de cada um para um objetivo definido. No caso de um restaurante, esse objetivo costuma ser o faturamento gerado por cada produto do cardápio.
A lógica é simples e um pouco desconfortável: nem todo item merece a mesma atenção. Alguns poucos produtos concentram a maior parte da sua receita, enquanto uma quantidade grande de itens contribui muito pouco. Reconhecer essa diferença muda a forma como você compra, precifica e divulga.
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De onde vem a regra 80/20?
Essa distribuição desigual não é novidade. Ela vem do princípio de Pareto, formulado pelo economista italiano Vilfredo Pareto, que observou que uma minoria das causas costuma responder pela maioria dos efeitos. A curva ABC é a aplicação prática dessa observação.
No cardápio, a proporção raramente é exatamente 80/20, mas o padrão se repete. Um grupo pequeno de pratos puxa o faturamento, um grupo intermediário sustenta a operação e uma cauda longa de itens vende pouco e, ainda assim, ocupa espaço no estoque e no cardápio.
Por que a curva ABC importa no delivery?
No delivery, nem todos os itens do cardápio têm o mesmo peso no resultado. Alguns concentram uma parcela grande do faturamento, enquanto outros vendem pouco e ocupam espaço na operação, no estoque e no próprio cardápio.
A curva ABC ajuda a identificar essa diferença. Em vez de tratar todos os produtos da mesma maneira, você consegue saber quais itens merecem mais atenção na compra de insumos, na disponibilidade, na precificação e na divulgação.
Essa priorização é especialmente útil no delivery, em que pequenas mudanças em itens de alto giro podem ter impacto relevante no faturamento. A análise também ajuda a encontrar produtos que merecem ser promovidos, reformulados ou retirados do cardápio.
Mas há um limite importante: a curva ABC tradicional olha para faturamento, não para lucro. Para saber se os itens que mais vendem também são os que mais contribuem para o resultado, é preciso cruzar a análise com a margem, como veremos mais adiante.
Curva ABC de vendas x curva ABC de estoque: qual usar no restaurante?
A curva ABC pode ser aplicada tanto aos produtos que você vende quanto aos insumos que compra, mas cada análise responde a uma pergunta diferente.
A curva ABC de vendas ajuda a entender quais itens do cardápio concentram o faturamento. Já a curva ABC de estoque mostra quais insumos têm maior peso na operação e merecem mais atenção na compra e na reposição.
| Aspecto | Curva ABC de vendas | Curva ABC de estoque |
| O que classifica | Itens do cardápio | Insumos e matéria-prima |
| Pergunta que responde | O que mais vende e fatura? | O que mais pesa na compra? |
| Base de cálculo | Faturamento por produto | Custo e giro do insumo |
| Decisão que orienta | Cardápio, preço e divulgação | Compra, reposição e armazenagem |
Se o objetivo é descobrir quais produtos sustentam o faturamento do delivery, use a curva ABC de vendas. É essa análise que vamos usar neste artigo.
As três classes: o que cada uma representa?
A classificação divide os itens conforme a participação acumulada no faturamento. Os cortes exatos variam de operação para operação, mas a lógica das faixas se mantém em qualquer cardápio.
Classe A
São os itens que concentram a maior parte da receita, geralmente em torno de 80% do faturamento, mesmo representando uma parcela pequena do cardápio. É o grupo que merece atenção diária, porque qualquer oscilação neles aparece direto no resultado.
Classe B
São os itens de participação intermediária. Vendem de forma constante, ajudam a sustentar o faturamento e costumam ter espaço de crescimento. Muitos itens de classe B viram classe A quando ganham destaque no cardápio ou um ajuste de preço bem calculado.
Classe C
São os itens de menor peso no faturamento. Costumam ser numerosos e vendem pouco. Nem todos precisam sair do cardápio, porque alguns cumprem função estratégica, como bebidas de acompanhamento ou opções para restrições alimentares.
| Classe | Participação no faturamento | Fatia típica do cardápio | Atenção recomendada |
| A | Cerca de 80% | Pequena | Diária |
| B | Cerca de 15% | Média | Semanal ou quinzenal |
| C | Cerca de 5% | Grande | Mensal |
Quais relatórios você precisa para montar a curva ABC?
Todo esse método depende de um insumo básico, que é o dado de vendas organizado por item. Sem isso, a curva ABC vira estimativa, e estimativa não sustenta decisão de preço nem de cardápio. Quem ainda anota pedido no papel costuma esbarrar aqui, e esse é um bom motivo para começar a digitalizar a operação pelo cardápio.
Na prática, três relatórios respondem às duas perguntas do título: o que mais vende e se o delivery dá lucro. O primeiro mostra o volume, o segundo mostra o custo e o terceiro mostra quanto sobra depois que o canal cobra a parte dele.
| Relatório | O que ele mostra | Para que serve na curva ABC |
| Vendas por produto | Quantidade e faturamento de cada item no período | Monta a classificação A, B e C |
| Custo por item | Custo de insumo de cada preparo | Calcula a margem de contribuição |
| Vendas por canal | Quanto entra por cada canal e a comissão de cada um | Revela o lucro real do item classe A |
As duas primeiras informações saem de um bom relatório de vendas, e o custo vem da ficha técnica. O terceiro relatório é o mais esquecido e costuma ser o que muda a conclusão da análise.
Esse levantamento fica bem mais simples quando os pedidos de todos os canais chegam a um painel de pedidos único, em vez de você somar planilha de um lado e extrato do aplicativo do outro.
Como calcular a curva ABC do seu cardápio passo a passo?
Montar a curva não exige software caro nem conhecimento de estatística. Exige o dado de vendas organizado e um pouco de paciência com a planilha. O roteiro abaixo funciona para qualquer tamanho de operação.
1. Levante as vendas por item
Escolha um período representativo, normalmente de 30 a 90 dias, e liste cada item do cardápio com a quantidade vendida e o faturamento gerado. Períodos curtos demais distorcem o retrato por causa de promoções pontuais e datas atípicas.
2. Ordene os itens do maior para o menor
Com a lista pronta, ordene os itens pelo faturamento, do maior para o menor. Nesse momento já costuma aparecer a primeira surpresa, porque o item que mais vende em quantidade nem sempre é o que mais fatura.
3. Calcule o percentual acumulado
Some a participação de cada item no faturamento total e vá acumulando linha a linha. O primeiro item pode representar 22%, o segundo mais 15%, chegando a 37%, e assim por diante até fechar 100%.
4. Corte as faixas A, B e C
Marque como classe A os itens que somam até cerca de 80% do acumulado. A faixa seguinte, até aproximadamente 95%, forma a classe B. O restante é classe C. Esses cortes são referências e podem ser ajustados à realidade da sua operação.
Como fica a curva ABC de uma hamburgueria na prática?
Um exemplo simplificado ajuda a fixar o método. Os números abaixo são ilustrativos e servem apenas para demonstrar o cálculo, não representam dados de mercado.
| Item | Faturamento no mês | Participação | Acumulado | Classe |
| Combo artesanal | R$ 12.000 | 30% | 30% | A |
| Cheeseburguer | R$ 10.000 | 25% | 55% | A |
| Batata rústica | R$ 6.000 | 15% | 70% | A |
| Refrigerante lata | R$ 4.000 | 10% | 80% | A |
| Milk-shake | R$ 3.000 | 7,5% | 87,5% | B |
| Burguer vegetariano | R$ 2.400 | 6% | 93,5% | B |
| Água mineral | R$ 1.200 | 3% | 96,5% | C |
| Sobremesa do dia | R$ 800 | 2% | 98,5% | C |
| Molho extra | R$ 600 | 1,5% | 100% | C |
Nesse retrato, quatro itens de um cardápio de nove concentram 80% do faturamento. Repare que o refrigerante entra na classe A, o que costuma acontecer em operações de delivery e muda bastante a conversa sobre combos e sugestões de acompanhamento.
Qual é o erro mais comum ao ler a curva ABC?
O erro mais comum é confundir faturamento com lucro. A curva ABC mostra quais itens têm maior participação nas vendas, mas não revela, sozinha, quanto sobra depois dos custos.
Imagine um combo que lidera a classe A porque vende muito. Se ele usa ingredientes caros, exige uma embalagem mais robusta e ainda é vendido por um canal que cobra comissão, a margem pode ser menor do que a de um item que vende muito menos.
Por isso, um item de classe A não é automaticamente um item lucrativo. A classificação mostra onde está o faturamento; a margem mostra quanto desse faturamento realmente contribui para o resultado.
É justamente esse cruzamento que transforma a curva ABC em uma ferramenta de decisão.
Como cruzar a curva ABC com a margem de cada item?
Depois de identificar quais itens concentram o faturamento, o próximo passo é descobrir quanto cada um realmente deixa para o restaurante. Para isso, cruze a classe da curva ABC com a margem de contribuição de cada produto.
A margem de contribuição é o que sobra do preço de venda depois de descontar os custos variáveis daquele item. Se você ainda não calcula esse número, o cálculo para precificar um produto mostra como chegar nele sem complicar.
| Situação | Vendas | Margem | O que fazer |
| Estrela | Alta | Alta | Proteger, destacar e manter sempre disponível |
| Cavalo de batalha | Alta | Baixa | Revisar preço, porção, embalagem e canal |
| Joia escondida | Baixa | Alta | Divulgar mais e sugerir como acompanhamento |
| Peso morto | Baixa | Baixa | Reformular ou tirar do cardápio |
O quadrante mais perigoso é o cavalo de batalha, o item de muita saída e pouca margem. Ele dá a sensação de sucesso, ocupa a cozinha nos horários de pico e sustenta um faturamento que quase não vira lucro.
Acompanhar seus indicadores financeiros ajuda a flagrar esse padrão antes que ele comprima o resultado do mês.
O que fazer com cada classe depois da análise?
Classificar sem agir não muda o resultado. Cada grupo pede um tipo de decisão, e a boa notícia é que as ações são bem concretas.
O que fazer com os itens da classe A?
Evite que falte insumo para eles, porque uma ruptura ali derruba o faturamento do dia. Revise o preço com frequência, negocie melhor a compra dos insumos e dê a eles o melhor lugar no cardápio, com foto boa e descrição clara.
O que fazer com os itens da classe B?
Trate a classe B como um viveiro de futuros itens A. Teste posicionamento no cardápio, monte combos com produtos de alta margem e observe a reação. Pequenos ajustes de exposição costumam mover itens dessa faixa com rapidez.
O que fazer com os itens da classe C?
Avalie caso a caso antes de cortar. Itens de baixo giro que travam capital no controle de estoque para delivery e complicam a operação são candidatos naturais à saída. Já os que servem de acompanhamento ou atendem uma restrição alimentar podem permanecer mesmo com pouca venda.
Vale lembrar que a apresentação do cardápio influencia diretamente essa distribuição. Trabalhar a ordem dos itens e a qualidade das descrições é uma forma de aumentar a conversão do cardápio digital e mover itens entre as classes.
Com que frequência refazer a curva ABC?
A curva ABC é um retrato de um período, não uma verdade permanente. Cardápio muda, preço de insumo muda e o comportamento do cliente muda junto. Uma curva de um ano atrás provavelmente já não descreve a sua operação de hoje.
Para a maioria dos delivery, refazer a análise a cada três meses funciona bem. Esse intervalo é curto o suficiente para captar mudanças relevantes e longo o suficiente para não reagir a oscilações passageiras de uma semana atípica.
Antecipe a revisão sempre que algo estruturante mudar, como uma alteração grande no cardápio, um reajuste de preço, uma troca de fornecedor ou a entrada em um novo canal de venda. Sazonalidades fortes, como festas e férias, também pedem uma leitura própria.
Comece a sua curva ABC hoje, com o cardápio que você já tem
A curva ABC mostra quais itens do seu cardápio concentram o faturamento, mas a análise fica realmente útil quando você cruza essa informação com a margem.
Para começar, levante as vendas dos últimos 90 dias, ordene os produtos pelo faturamento e identifique as classes A, B e C. Depois, analise a margem dos itens mais importantes para descobrir quais produtos realmente contribuem para o resultado.
A partir daí, use a análise para tomar decisões concretas: proteger os itens que sustentam o faturamento, corrigir os que vendem muito e deixam pouco e avaliar quais produtos de baixo giro ainda fazem sentido no cardápio.
O mais importante é não tratar a curva ABC como um relatório para consultar uma vez. Ela é uma fotografia da operação que deve ser refeita periodicamente, conforme preços, custos, canais e comportamento dos clientes mudam.
Se quiser continuar por aqui, vale entender como acompanhar os indicadores de delivery que conversam com a sua curva. E se ficou com dúvida sobre o seu caso, você pode conversar com um consultor da Anota AI e testar 7 dias grátis, sem cartão.
Perguntas frequentes sobre curva ABC
Como explicar a curva ABC em poucas palavras?
É um método que classifica os itens em três grupos conforme o peso de cada um no faturamento. A classe A concentra a maior parte da receita, a B tem participação intermediária e a C representa a menor fatia.
Qual a diferença entre curva ABC de vendas e de estoque?
A de vendas classifica os produtos do cardápio pelo faturamento que geram. A de estoque classifica os insumos pelo peso na compra e no giro. São análises complementares, que respondem a perguntas diferentes.
Quanto tempo leva para montar a curva ABC?
Com o relatório de vendas em mãos, uma tarde costuma bastar na primeira vez, porque o trabalho é organizar os dados numa planilha. Depois que a rotina está montada, a atualização leva poucos minutos. A seção com o passo a passo detalha cada etapa e onde ficam os cortes das faixas.
O item de classe A é sempre o mais lucrativo?
Não. A classe A indica participação no faturamento, não margem. Um item pode vender muito e sobrar pouco depois do custo de insumo, embalagem e comissão do canal, por isso o cruzamento com a margem é essencial.
De quanto em quanto tempo devo refazer a curva ABC?
A cada três meses atende bem a maioria das operações. Antecipe a revisão quando houver mudança grande de cardápio, reajuste de preço, troca de fornecedor ou entrada em um novo canal de venda.
Preciso de um sistema para fazer a curva ABC?
Não é obrigatório, dá para montar em planilha. O sistema economiza tempo porque já registra a venda por produto, o que elimina a digitação manual de pedido por pedido e reduz o risco de erro no levantamento.
Devo tirar todos os itens de classe C do cardápio?
Não necessariamente. Avalie caso a caso, porque alguns itens de baixo giro cumprem papel estratégico, como bebidas de acompanhamento ou opções para restrições alimentares. Corte os que travam capital sem função clara.
A curva ABC mostra quais itens do seu cardápio concentram o faturamento. Quando cruzada com a margem, ela revela o que realmente dá lucro. Use essa análise para proteger seus produtos estrela, corrigir os que vendem muito e deixam pouco, e decidir o que fica no cardápio. Quer automatizar seus relatórios e tomar decisões mais rápidas? Entre em contato com um consultor da Anota AI.