Entregador de pizza: quanto ganha, jornada e regras da profissão

Veja quanto ganha um entregador de pizza, a jornada, os requisitos legais e quanto o entregador custa para a pizzaria. Dados e leis atualizados.

Publicado em 14 de outubro de 2026

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O entregador de pizza que usa moto e tem carteira assinada ganha, em média, R$ 1.763 por mês, contra um salário mínimo de R$ 1.621 em 2026. O número vem do Novo Caged e se refere aos motofretistas admitidos entre agosto de 2025 e julho de 2026 (Salário.com.br). A jornada vai até 8 horas por dia e 44 por semana. Quem trabalha de moto recebe 30% de periculosidade sobre o salário-base, e o TST decidiu em abril de 2026 que esse pagamento não depende de regulamentação prévia.

Aqui estão os pontos que pesam na rotina de quem entrega e de quem contrata: quanto se paga, como formalizar a contratação, quantas horas se trabalha, o que a lei exige e quanto a entrega custa para a pizzaria. Os dados vêm de fontes oficiais e de pesquisas com data. Como as regras trabalhistas e de trânsito mudam com frequência, confirme a legislação vigente antes de decidir.

Entregador de pizza é o profissional que leva o pedido da pizzaria até o endereço do cliente, a pé, de bicicleta, de moto ou de carro. Ele não é o mesmo que o entregador de aplicativo, que atende pedidos de vários restaurantes por uma plataforma. Quando a entrega é de moto, o profissional é chamado de motoboy no dia a dia e de motofretista na legislação de trânsito.

Resumo em números

ItemDadoFonte
Salário médio de motofretista com carteira assinadaR$ 1.763,45 (mediana de R$ 1.684), admissões de agosto de 2025 a julho de 2026, amostra de 164.579 profissionaisNovo Caged, via Salário.com.br
Salário mínimo em 2026R$ 1.621 por mês e R$ 54,04 por diaDecreto 12.797/2025
Jornada de empregado CLTAté 8 horas por dia e 44 por semanaConstituição Federal, art. 7º, XIII
Adicional de periculosidade para quem trabalha de moto30% sobre o salário-base do empregadoCLT, art. 193, §4º; TST, Tema 101 (abril de 2026)
Delivery no faturamento de bares e restaurantes30% (pesquisa divulgada em março de 2025, com 2.176 donos de estabelecimentos)Abrasel

Quanto ganha um entregador de pizza?

Com carteira assinada, a média é de R$ 1.763 por mês, com mediana de R$ 1.684. O valor real muda com a cidade e com o modelo de contratação. Na entrega paga por corrida, depende também do que a pizzaria combina.

Salário mensal e faixa média

O Salário.com.br reúne dados do Novo Caged, sistema do Ministério do Trabalho que registra admissões e desligamentos, e calcula para o motofretista (CBO 519110) uma média de R$ 1.763,45 e mediana de R$ 1.684. A amostra tem 164.579 profissionais admitidos entre agosto de 2025 e julho de 2026, com atualização de 3 de setembro de 2026. O dado cobre motofretistas com carteira assinada em geral, não só os de pizzaria, e deixa de fora MEI e autônomo. Use o número como referência, não como piso.

Para comparação, o salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621, fixado pelo Decreto 12.797/2025. Pisos por categoria e por estado podem ser mais altos e costumam ser definidos em convenção coletiva, então vale consultar o sindicato da sua região.

Quanto ganha por dia e por entrega?

Quem tem salário fixo divide o valor mensal por 30 para chegar à diária. R$ 1.763,45 equivalem a cerca de R$ 58,78 por dia, enquanto o salário mínimo de 2026 corresponde a R$ 54,04. Quem recebe por entrega tem ganho variável: o valor de cada corrida é combinado com a pizzaria e muda com a distância e a cidade, então o total do dia depende do número de pedidos.

Adicional de periculosidade e outros componentes do ganho

Empregado CLT que trabalha de moto tem direito a adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base. A Lei 12.997/2014 incluiu no art. 193 da CLT (§4º) as atividades de trabalhador em motocicleta entre as perigosas. Em abril de 2026, o TST decidiu no Tema 101, um recurso repetitivo, que o pagamento não depende de regulamentação prévia do Poder Executivo (TRT-18). Em um exemplo com salário-base de R$ 1.621, o adicional é de R$ 486,30 e a remuneração vai a R$ 2.107,30, antes de descontos e de horas extras. Para MEI e autônomo, o valor é negociado no contrato com a pizzaria.

ComponenteComo funciona
Salário fixoValor mensal combinado, que não pode ficar abaixo do salário mínimo
Valor por entregaQuantia por corrida, ou repasse de parte da taxa de entrega, conforme o combinado
Adicional de periculosidade30% sobre o salário-base para empregado que trabalha de moto
Horas extrasAcréscimo de, no mínimo, 50% sobre a hora normal (Constituição Federal, art. 7º, XVI)
BenefíciosDefinidos pela empresa ou por convenção coletiva, como plano de saúde e vale-refeição

Como o entregador de pizza pode ser contratado?

A pizzaria pode contratar o entregador por CLT, como MEI ou autônomo, ou por meio de uma empresa terceirizada. A escolha define direitos, custos e obrigações de cada lado.

CLT, MEI, autônomo e terceirizado

ModeloComo funcionaDireitos e obrigações principais
CLTEmpregado com carteira assinada, jornada definida e subordinação à pizzariaSalário, 13º, férias, FGTS, horas extras e adicional de periculosidade para quem usa moto
MEI ou autônomoProfissional que presta o serviço por conta própria e emite nota ou reciboSem os direitos da CLT; cuida das próprias contribuições e tributos e combina valor e horário com a pizzaria
TerceirizadoEntregador vinculado a uma empresa de logística contratada pela pizzariaA empresa contratada é a empregadora; a pizzaria paga pelo serviço e responde de forma subsidiária pelas obrigações trabalhistas do período (Lei 6.019/1974, art. 5º-A, §5º)

A forma de contratar precisa refletir como o trabalho acontece. A CLT define empregado como quem presta serviços de natureza não eventual a um empregador, sob dependência deste e mediante salário (art. 3º). Se o entregador trabalha todos os dias, no horário da pizzaria e segue as ordens dela, a Justiça do Trabalho pode reconhecer vínculo de emprego, conforme os fatos de cada caso. Há decisões em sentidos diferentes: o TRT-1 reconheceu o vínculo de um entregador com empresa de entrega de alimentos, e o TRT-2 negou vínculo de motoboy por autonomia. Em caso de dúvida, consulte um advogado trabalhista.

Direitos e benefícios em cada modelo

O empregado CLT tem direito a 13º salário, férias com acréscimo de um terço, FGTS, pagamento de horas extras e salário não inferior ao mínimo, todos previstos no art. 7º da Constituição Federal. Benefícios como plano de saúde ou auxílio em academia dependem da política da empresa ou de convenção coletiva. MEI e autônomo não recebem esses direitos e respondem pelas próprias contribuições e tributos. Para um panorama das regras, veja o guia sobre leis trabalhistas para motoboys.

Onde encontrar um entregador ou uma vaga

Pizzarias costumam contratar por indicação, por cartaz no próprio estabelecimento e em portais de emprego, e entregadores procuram vagas nos mesmos canais. Ao divulgar a vaga, informe o modelo de contratação, o tipo de veículo, o horário e a forma de pagamento para evitar mal-entendidos.

Quantas horas trabalha um entregador de pizza?

O entregador com carteira assinada trabalha, no máximo, 8 horas por dia e 44 por semana, conforme o art. 7º, XIII, da Constituição Federal. O que passar disso é hora extra, paga com acréscimo de, no mínimo, 50% (art. 7º, XVI). A Constituição admite compensação de horários e redução de jornada por acordo ou convenção coletiva.

A jornada do art. 7º, XIII, da Constituição vale para empregados. Para MEI e autônomo, o horário e o volume de entregas são combinados em contrato com a pizzaria. O trabalho à noite tem regras próprias, como remuneração superior à do trabalho diurno (art. 7º, IX), e o contrato ou a convenção coletiva detalham como isso se aplica.

Qual é a função do entregador de pizza?

A função central é levar a pizza ao cliente no prazo combinado e com o produto em boas condições. Isso inclui carregar e conferir o pedido na saída, seguir a rota até o endereço e, quando combinado, receber o pagamento.

Nome oficial e diferença entre entregador e motoboy

Nas pizzarias, o cargo aparece como entregador, motoboy ou motoboy entregador. Entregador é o termo geral para quem leva pedidos, com qualquer veículo. Motoboy é o entregador que usa moto: a Lei 12.009/2009 regulamenta a atividade do “motoboy” com uso de motocicleta, e os órgãos de trânsito chamam quem faz esse transporte remunerado de motofretista.

O que é desvio de função?

Desvio de função acontece quando o empregado passa a exercer, de forma habitual, tarefas diferentes das combinadas no contrato. Um exemplo é o entregador que também atende no balcão ou prepara pedidos no lugar de entregar. Se a pizzaria precisa dessa flexibilidade, o ideal é alinhar as tarefas por escrito e, se necessário, ouvir um advogado trabalhista.

O que é preciso para trabalhar como entregador de pizza?

Para entregar de moto, é preciso ter 21 anos completos, CNH categoria A há pelo menos 2 anos e curso especializado, além de usar colete com faixas refletivas (Lei 12.009/2009, art. 2º). Entre 19 de maio e 15 de setembro de 2026, a MP 1.360/2026 flexibilizou parte dessas exigências. Ela perdeu a validade sem ser votada (Senado Notícias), e as regras anteriores voltam a valer desde 16 de setembro (Diário do Transporte).

Habilitação, curso e veículo

A CNH categoria A e o curso especializado, regulamentado pelo Contran, são requisitos da pessoa. A moto de motofrete tem exigências próprias no Código de Trânsito Brasileiro (art. 139-A): autorização do órgão de trânsito do estado, registro na categoria aluguel, protetor de motor, aparador de linha (antena corta-pipas) e inspeção semestral. Quem paga manutenção e combustível, seja a pizzaria ou o entregador, deve constar no combinado.

Equipamentos de segurança

O colete com dispositivos retrorrefletivos é exigido pela Lei 12.009/2009, e o capacete é obrigatório para o condutor. Revisar freios e pneus com frequência reduz o risco de pane durante a rota. A bolsa térmica não é obrigação legal, mas ajuda a manter a pizza quente no trajeto.

O entregador é obrigado a subir até o apartamento do cliente?

Não existe lei federal que obrigue o entregador a subir até o apartamento. A regra costuma vir da política da pizzaria e das normas do condomínio, e o mais seguro é combinar a entrega na portaria ou na entrada do prédio.

A pizzaria pode adotar a entrega até a porta como política própria. Nesse caso, avise o cliente antes, no cardápio ou na mensagem de confirmação do pedido, para evitar conflito na hora da entrega.

Como ser um bom entregador de pizza?

Um bom entregador chega no prazo combinado, entrega a pizza em boas condições, trata o cliente com educação e respeita as regras de trânsito.

Atendimento e educação

O atendimento na hora da entrega também conta: um cumprimento educado e a conferência do pedido com o cliente evitam mal-entendidos.

Pontualidade e temperatura da pizza

Cumprir o prazo informado ao cliente é a base do trabalho. Sair com a pizza bem embalada e em bolsa térmica ajuda a preservar a temperatura, e pedidos agrupados por região encurtam o percurso. Para mais estratégias de prazo, veja como ter uma velocidade de entrega competitiva.

Trânsito e segurança

Manter a CNH em dia, respeitar a sinalização e usar capacete e colete evita multas e reduz o risco de acidentes. A manutenção preventiva da moto reduz o risco de pane no meio da rota.

Comunicação e rastreamento

Manter o celular carregado e o contato ativo permite que a pizzaria avise o cliente sobre o andamento e resolva imprevistos no caminho. Também serve de registro quando o cliente reclama do horário ou do trajeto.

Quanto custa o entregador para a pizzaria?

O custo do entregador é a soma da remuneração, dos encargos do modelo de contratação e das despesas com a moto, quando a pizzaria as assume, dividida pelo número de entregas do período. Segundo pesquisa da Abrasel divulgada em março de 2025, com 2.176 donos de estabelecimentos, o delivery respondeu por 30% do faturamento de bares e restaurantes, e 71% dos estabelecimentos operam delivery, contra 78% em 2022. Conhecer o custo por entrega ajuda a definir a taxa cobrada e a margem dos pedidos.

Taxa de entrega e custo por entrega

O cálculo é direto: custo por entrega = custo total do entregador no mês ÷ número de entregas no mês. Em um exemplo hipotético, um custo mensal de R$ 3.000 com 600 entregas resulta em R$ 5,00 por entrega. Com esse número em mãos, fica mais fácil definir quanto cobrar do cliente. O guia sobre como calcular a taxa de entrega detalha o método.

Entrega própria ou plataforma

Na entrega própria, a pizzaria contrata e coordena os entregadores e controla o prazo e o atendimento. Na entrega por plataforma, a pizzaria usa a estrutura de um marketplace, com regras e custos definidos por ele. Na mesma pesquisa da Abrasel, os marketplaces responderam por 54% do faturamento com delivery e o WhatsApp por 26%, e os dois canais convivem no delivery de bares e restaurantes. Para conhecer a plataforma, veja o guia geral sobre o iFood.

Como acompanhar as entregas

Registrar horário de saída, endereço, tempo de percurso e ocorrências de cada pedido dá base para avaliar prazos, dividir rotas e conferir o pagamento por entrega. Uma planilha atende operações pequenas, e ferramentas de gestão e de integração logística automatizam esse registro quando o volume cresce.

Para quem opera delivery próprio, o cardápio digital da Anota AI reúne pedidos e endereços do canal próprio em um só lugar, o que facilita organizar as saídas para entrega.

Perguntas frequentes sobre entregador de pizza

O entregador de pizza precisa de CNH categoria A?

Para entregar de moto, sim. A Lei 12.009/2009 exige habilitação na categoria A por pelo menos 2 anos, além de 21 anos de idade e curso especializado. A MP 1.360/2026 as flexibilizou por alguns meses, mas perdeu a validade, e as exigências voltaram a valer em 16 de setembro de 2026.

O entregador de pizza pode ser MEI?

Pode atuar como MEI ou autônomo, sem os direitos da CLT, desde que a relação com a pizzaria não tenha as características de emprego. Confira a ocupação no Portal do Empreendedor e, em caso de dúvida, consulte um contador ou advogado.

Quanto uma pizzaria gasta com um entregador por mês?

O valor muda com o modelo de contratação. Com carteira assinada, a base é o salário (o mínimo é de R$ 1.621 em 2026), o adicional de periculosidade de 30% para quem usa moto e os encargos trabalhistas. Com MEI ou autônomo, vale o valor combinado por entrega ou por período.

Vale mais ter entregador próprio ou usar plataforma?

Depende do volume de pedidos e do controle que a pizzaria quer ter. A entrega própria dá controle sobre prazo e atendimento e exige gestão da equipe. A plataforma terceiriza a logística, com regras e custos do marketplace, e os dois modelos podem funcionar juntos.

Como acompanhar as entregas em tempo real?

Com ferramentas de gestão e de integração logística que registram saída, rota e conclusão de cada pedido. Em operações pequenas, o registro manual do horário e a confirmação por mensagem já dão visibilidade.

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